O JARDIM COMO UM TODO
Antes de iniciar o plantio do jardim, é preciso verificar as condições do local, para que o jar-
dim tenha um planejamento correto e as espé cies escolhidas sejam adequadas ao ambiente.
A iluminação é um fator limitante para o crescimento e a reprodução das plantas. Temos de
estudar a incidência de sol durante os vários períodos do ano, pois é isso que permite que
algumas plantas se adaptem ou não ao local. Além da determinação dos pontos cardeais
(Norte, Sul, Leste, Oeste), é preciso verificar a existência de cons truções, muros, árvores
e declives do terreno, fatores que alteram as condições de luz, temperatura, umidade e
ventilação do local.
Algumas normas devem ser seguidas na hora de plantar.
Com o auxílio de uma bússola, devem-se localizar o Norte e as outras posições geográfi-
cas, ou, então, de uma forma mais simples:
• estendendo o braço direito em direção ao sol nascente, temos o Leste;
• em oposição, o braço esquerdo estendido indicará o Oeste;
• à frente, teremos o Norte;
• e, às nossas costas, o Sul.
É bem simples. Mas é preciso, antes, determinar um ponto fixo, que pode ser a casa, uma
árvore, ou qualquer construção ao redor da qual se deseja plantar.
A face leste é a mais privilegiada, pois, quando o sol nasce, a tempera tura é amena. Essa
situação permite que a umidade do solo se man tenha por mais tempo. Há plantas que pre-cisam da incidência direta do sol por 2 a 4 horas, de temperaturas amenas e de umidade
modera da no solo. É o caso das folhagens, por exemplo. Se quisermos um canteiro de
antúrios, lírios da paz, marantas, ou mesmo flores, como as marias-sem-vergonha, que são
sensíveis ao sol quente, é melhor plantá-los na posição do sol nascente, ou seja, a leste.
A face oeste, do sol poente, é mais quente, uma vez que a temperatu ra se “acumula” nos
minerais do solo, fazendo a água evaporar mais depressa. Assim, somente as plantas que
possuem raízes e folhas mais resistentes podem se adaptar a essas condições. Outras es-
pécies, se plantadas nesses locais, precisarão de regas mais constantes. Os arbustos, como
azaléias, hibiscos, pingos-de-ouro, ou plantas resistentes à seca, como cactáceas e suculen-
tas, se adaptam com faci lidade às condições do sol poente.
A face norte é a mais ensolarada durante o inverno. Isto faz com que seja a ideal para o
plantio de hortaliças, pois, mesmo nos meses frios de junho e julho, as plantas terão mais
calor junto ao solo, permitin do a germinação e o crescimento, se irrigadas. A face norte
também é ideal para o plantio de espécies que florescem durante o ano inteiro. É o caso
das roseiras, cuja poda é feita a partir do dia 23 de junho. A partir dessa data, os dias se tor-
nam mais longos e ensolarados, o que faz com que elas floresçam mais. As plantas típicas de
inverno, como petúnias, begônias, sempre floridas, hortênsias, entre outras, têm flo ração
mais abundante, se expostas à face norte.
A face sul do terreno, ao contrário da face norte, é a mais sombrea da e fria. Diz a sabedo-
ria popular que o joão-de-barro nunca constrói o seu ninho voltado para o sul, para evitar
os ventos frios, que sopram principalmente nas madrugadas.
Também as folhagens se ressentem do frio. As folhas das samam baias, por exemplo, a 5ºC
começam a amarelar e a secar. Plantas como antúrios, jibóias e comigo-ninguém-pode não
devem ficar sujeitas a correntes de ar frio. Outras plantas, no entanto, como árvores e ar-
bustos, que têm ramos e troncos lenhosos, podem se adaptar com mais facilidade a essas
condições.
Se observarmos esses princípios básicos, as chances de sucesso serão maiores, pois os
danos e as condições impróprias, que dificultam o crescimento dos vegetais e favorecem o
ataque de pragas e doenças, que, por sua vez, atingem normalmente as plantas mais fracas,
estarão sendo evitados.

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